* Cláudio José Braga Bittencourt
“Educação Ambiental Crítica” de
Mauro Guimarães (In: Identidades da Educação Ambiental Brasileira/ Ministério
do Meio Ambiente, Diretoria de Educação Ambiental; Philippe Pomier Layrargues
(coord.). – Brasília: Ministério do Meio Ambiente, 2004, p.25-34”).
Para o autor, a Educação Ambiental Critica (EAC) estabelece-se hoje como
uma nova dimensão na educação, ao mesmo tempo como superação, uma contraposição
através de outro referencial teórico à forma atual. Essa ressignificação,
segundo Guimarães foi necessária para diferenciar uma ação educativa capaz de
contribuir para a transformação de uma realidade que historicamente se coloca
em uma grave crise socioambiental.
Mauro Guimarães é Graduado em Geografia pela Universidade Federal do Rio
de Janeiro (1986), com especialização em Ciências Ambientais
pela Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (1991), Mestre em Educação
pela Universidade Federal Fluminense (1996) e Doutor em Ciências Sociais
pela Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (2003). Professor pesquisador
do Programa de Mestrado em Educação da Universidade Federal Rural do Rio de
Janeiro, Atuação na área de Educação, com ênfase em Educação Ambiental. Autor
de livros e artigos na área, é assessor Pedagógico do Programa Horta Viva de
Educação Ambiental.
A concepção de Mauro aponta que a concepção da Educação Ambiental
não é instrumentalizada, nem comprometida com o processo de transformação da
realidade socioambiental, isto causa a dificuldade do pensar o junto, conjunto
e a totalidade complexa. Por uma Educação Ambiental Crítica, percebe-se que
Mauro tem a intenção de estabelecer diferença entre as propostas de Educação
Ambiental presentes na sociedade e a de que a ação crítica sobre o processo
social possibilita a formação de cidadãos comprometidos com a questão da
qualidade ambiental.
Sua compreensão de educação ambiental se dá a partir do subsídio dos
autores como Milton santos, Paulo freire e Edgar Morin, onde o processo de
transformação da realidade socioambiental como reflexo da dialética
constitutiva do real, a interação entre o local e o global, entre o
desenvolvimento e o subdesenvolvimento, através de uma leitura problematizadora
e contextualizadora do real e ainda das relações dialógicas da parte e do todo,
da ordem, da desordem e da organização na complexidade.
Ressalta que a Educação Ambiental Critica propõe desvelar o embate pela
hegemonia instrumentalizando os atores sociais, em uma compreensão complexa do
real, porém em ação conjunta com a práxis, em que a reflexão subsidie uma
pratica criativa e que esta dê elementos para uma reflexão e construção de uma
nova compreensão de mundo. De tal forma que se de numa relação do individuo com
o coletivo, pela cidadania em movimento coletivos conjuntos de transformação da
então realidade socioambiental.
A Educação Ambiental Crítica prevista por Guimarães se coloca
em promover ambientes educativos mobilizadores da intervenção sobre a realidade
e seus problemas socioambientais, para que assim possamos superar as armadilhas
paradigmáticas, desta forma a ação pedagógica da EAC que se dê por meio de
projetos devem estar voltados para além das salas de aulas e os educadores o
ambiente educativo de forma crítica.
Nós educadores ambientais não podemos, deixar de estar cientes
de que essa cidadania só pode ser exercida pelos seguimentos sociais que não
estão sendo excluídos nestes processos de mudanças. O educador ambiental
crítico, no exercício de sua cidadania nas diferentes esferas global/local, bem
como atuando na formação de outros cidadãos, estará sendo um agente e formando
agentes que contribuirão no processo de transformação deste atual modelo de
sociedade e da lógica dominante das mudanças em curso.
Fica claro que, as inquietações com a Educação Ambiental
mencionadas neste trabalho, têm seus conceitos evoluídos, os pontos de vista
aqui abordados, apresentam o entendimento de como a Educação Ambiental tem sido
praticada a partir da relação que se tem com o
meio ambiente. É possível observar que a àquela está sendo conduzida a exercer um
papel fundamental e deve ser interpretada por isso como portadora dos valores,
no sentido de adequar o indivíduo à sociedade, propondo uma forma crítica que
conduza para as transformações cabíveis a novos paradigmas socioambientais tais
como: a qualidade de vida a justiça social e qualidade ambiental.
Acredito que caminhamos para o momento em
que, cada cidadão possa compreender o seu papel na sociedade e como esta interage
com sua vida, direta e irreversível, que as pessoas/ sociedade perceba que preservar
o espaço natural é antes de tudo preservar sua própria “vida” e que desproteger
o meio ambiente, é fragilizar a saúde, a economia, o emprego, etc.
A
educação ambiental critica é um processo pedagógico participativo em que se pretende
criar uma consciência crítica sobre a problemática ambiental, estendendo à
sociedade a capacidade de captar a gênese e a evolução de problemas ambientais.Trabalhemos
pela EAC que se dê de forma emancipatória, transformadora, popular e/ou
ecopedagógica.